Ao tempo em que aqui escrevo apercebo-me do obsoletos que são hoje estes Blogs e penso no que serão quando a minha filha já usar um computador... O tempo de hoje é sem duvida um tempo mais rápido...
Aljustrel
e
no
fim
mina
minha
tão bem
saberás
olhar por
Aljustrel
seus filhos
suas esposas
suas familias.
Na dificuldade
seremos destros
lutaremos sem fim
mostraremos honra
dignidade valorosa
jamais esqueceremos
somos parte desse chão
as galerias exploradas
corredores percorridos
vidas inteiras dedicadas
alquimia de sol por pirites
ALJUSTREL PRECISA DAS MINAS
não pode morrer a esperança
espero o dia da tua revolta
grita das tuas entranhas
anuncia uma nova aurora
a divina ressurreição
sim, voltarás a jorrar
serás novamente pão
e o mineiro voltará.
Engenhoso e hábil
bule teu coração
imenso e abondo
com árduo suor
emancipador.
Serás cobre
serás ouro
serás paz
alegria
chumbo
prata
amor
luz
tu
e...
José Leal
Um ar gélido atravessa-me a espinha
Tolhe-me os movimentos
A noite chega trazendo a cacimba e o silêncio que me petrifica
Um fluido pegajoso cola-se-me à pele
Estou ensanguentado
A ferida que julgava sarada voltou a sangrar
E hei-me de novo assustado na urgência de um recanto
Um local recôndito
Uma caverna qualquer
Não necessitarei já de curativos
Nem tão pouco de calor animal...
Anseio apenas adormecer esta dor e extinguir-me nela
Onde não estorve a passagem
Onde as moscas não dêem comigo e os pássaros me não biquem os olhos
Um buraco onde lamber as feridas
Longe dos olhares lancinantes de quem irrompe no amanhecer
Logo nascerá o dia e as luzes que me vigiam
Diluir-se-ão na manhã efervescente
Os humanos regressarão à cidade
Dilacerados, todos...
Feridos de morte, alguns
Disfarçam as chagas dos espelhos acusadores
Tal como eu
E tal como eu não podendo se esconder
Um momento que seja
Ao longo de todo um doloroso dia
Desesperados, aguardarão o cair da noite
Para lamber as feridas
Em silêncio
A sós
Muitos refugiar-se-ão aqui na serra
E aqui derramarão prantos selváticos sob as luzes da cidade que os destrói
E à qual terão que regressar com a alma tatuada de uivos silenciados
Sufocados
Até a noite os libertar
José Leal
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